
Seja ele encarado como o Filho de Deus, ou como um dos maiores filósofos da humanidade, como agitador político ou o personagem principal do maior livro de ficção de todos os tempos (cada um pode escolher a sua definição, e viva a liberdade religiosa! - inclusive a de não ter uma religião), é certo que Jesus Cristo rendeu muitos filmes interessantes ao longo dos anos, desde reproduções históricas ou as mais diversas paródias.
Filmes estes nem sempre bem vistos pela comunidade religiosa, por serem subversivos ou até mesmo por tentarem entender quem poderia ter sido o homem atrás do mito. Selecionamos alguns bons deles, para você que vai comer peixe e meditar ou para você que encara a Semana Santa como uma ótima desculpa para se entupir de chocolates.
Jesus Cristo: Superstar: Baseado na Ópera Rock apresentada nos palcos do mundo inteiro, este filme, de 1973, dirigido por Norman Jewison, mostra os momentos finais da vida de Cristo, justamente o que é comemorando na Semana Santa. A produção mistura os arquétipos bíblicos com a cultura pop da década de setenta e traz Jesus como uma celebridade melancólica, quase um Kurt Cobain.
Destaque para o Judas humanizado de Carl Anderson e a música que dá nome ao título, onde o “traidor” pergunta se tudo aquilo (incluindo a crucificação) fazia mesmo parte do plano inicial do “Messias”, interpretado por Ted Neeley. Ganhou uma regravação em 2000, especialmente feita para a televisão, onde o lado rockstar é ainda mais cultuado.
A vida de Brian: Uma das melhores, se não a melhor, produções do grupo britânico de humor Monty Phyton, dirigido em 1979 por Terry Gilian. Numa época em que um messias aparecia em cada esquina e que pipocavam os grupos contra a dominação dos judeus pelos romanos, surge Brian Cohen: nascido numa manjedoura, agitador político, messias das multidões, crucificado. Lembra a vida de alguém? Destaque para o encerramento musical, onde fica a mensagem: mesmo sendo cruelmente morto em uma cruz de madeira, sempre veja o lado bom da vida.
A Última Tentação de Cristo: Certamente o mais polêmico da lista, este filme de 1988 foi dirigido por Martin Scorcese e traz a vida de um pacato marceneiro que tem uma epifania e se dá conta de que é o Messias, o filho de Deus enviado à Terra. Scorcese mostra um homem inseguro e vaidoso com o papel que desempenha e que, em sua crucificação, sofre a tal última tentação, de abrir mão de tudo para ter uma vida simples com uma família e Maria Madalena. Destaque para um Willen Dafoe (Cristo) antes de se entregar às péssimas interpretações cheias de caretas e David Bowie como Pilatos.
A Paixão de Cristo: Mel Gibson, fundamentalista cristão e não tão bom diretor, errou feio a mão neste filme, que intercala momentos de boa interpretação e com ótimos toques de sutileza com outros de total canastrice e sangue jorrando por todos os lados. Pelo menos, o elenco tenta salvar o filme, com destaque para a sempre bela Monica Bellucci como Maria e a andrógina Rosalinda Celentano como o diabo. Pra quem quer contrabalancear as liberdades poéticas dos filmes já citados, é uma boa pedida, já que Gibson divulgou aos quatro ventos que estava sendo o mais fiel possível à bíblia. Spoiler: O mocinho morre no final, mas logo volta.
Axé pra quem é de axé, saravá pra quem é de saravá, aleluia pra quem é de aleluia, amém pra quem é de amém! Shalom! Namastê geral!
Por: TarjaPreta